Publicado em 19 de setembro de 2026 • Logos Apologética Entrevistados: Dr. John Lennox e Dr. Frank Turek • Local: Igreja de St. Ebbe, Oxford • Data: Setembro de 2026
Em um vídeo recente do canal CrossExamined de Frank Turek, autor do livro Não tenho fé suficiente para ser ateu, entrevistou o grande apologista e matemático John Lennox, o qual sempre trazemos conteúdo exclusivo deles aqui no blog e canal. Por isso siga-nos para saber mais.
Desde suas origens humildes na Irlanda do Norte até debater com os ateus mais proeminentes do mundo no cenário global, o Dr. John C. Lennox dedicou sua vida (mais de sessenta anos!) a demonstrar como fé, ciência e razão podem coexistir. Nesta entrevista exclusiva, gravada na Igreja de St. Ebbe, em Oxford, Inglaterra, Frank e John conversam sobre sua nova autobiografia, ” Minha História: Uma Autobiografia Espiritual e Intelectual “, e refletem sobre as ideias, as pessoas e os momentos cruciais que moldaram sua vida extraordinária.
Frank Turek: De fato, você mesmo diz na autobiografia, nas páginas finais, John, ao chegar aos dias de hoje — e isto é algo impressionante —: somos únicos num sentido absolutamente surpreendente: nós, seres humanos, somos a única espécie de criatura que Deus poderia tornar-se.
Essa é uma afirmação estonteante, pois nada mais é do que o que João diz no início do seu Evangelho: o Verbo, que é Deus, fez-se carne, tornou-se humano. E quando refletimos sobre isso — de que somos o tipo de ser que Deus poderia tornar-se —, isso é um testemunho poderoso, ao meu ver, contra as tentativas transhumanistas de criar seres superiores por meio da inteligência artificial e tudo o mais.
Então, por que estamos aqui? A resposta é tão simples quanto admirável. Senhoras e senhores, neste momento estou em Utah, no Memorial Charlie Kirk — falaremos mais sobre isso num programa futuro. Mas hoje temos um presente especial: estive em Oxford com John Lennox no mês passado e tive o privilégio de conversar com ele por mais de uma hora sobre sua nova biografia, na verdade, sua autobiografia, que abrange grande parte de sua vida. Vocês vão querer ler este livro. É verdadeiramente incrível: tem quase 700 páginas, mas lê-se como se tivesse cem. Vocês não vão querer parar de ler. E John é, na minha opinião, um dos melhores apologetas da atualidade — tem 82 anos.
É uma pessoa tão agradável, cativante, mas também extremamente precisa nas questões mais importantes da apologética, especialmente no que diz respeito à ciência. E a primeira pergunta que lhe fiz foi sobre a autobiografia: como conseguiu organizar tudo isso? Apresentaremos trechos aqui; a entrevista completa será lançada no podcast. Vejamos. John Lennox, como reuniu todos os elementos para escrever a obra? Estamos aqui na Igreja de Santo Ébano, em Oxford. Há quantos anos leciona em Oxford, John?
John Lennox: Estou aqui há cerca de 30 anos. Cheguei em 1997. Não lecionei ininterruptamente, mas tenho ensinado ao longo de toda a minha vida.
Frank Turek: Quase 30 anos, então. Seu livro é uma obra esplêndida. Tem quase 700 páginas, mas lê-se como se tivesse cem. Li tudo rapidamente. É uma jornada espiritual e intelectual. E não sei como consegue lembrar de tantos lugares que visitou, John. Você percorreu o mundo inteiro.
Falou sobre Cristo a plateias em cinco idiomas. Esteve por trás da Cortina de Ferro, foi à Rússia inúmeras vezes, à Ucrânia, à Oceania. E o livro é tão bem estruturado. Como conseguiu reunir tantos detalhes?
John Lennox: Não sei ao certo. Acredito que parte se deve ao fato de que, quando viajava pelo Leste Europeu, formamos um grupo que precisava manter registros por lei — isso ajudou imensamente. Também escrevi relatórios ao longo dos anos, mas infelizmente não percebi na época o quanto aquilo era histórico, então não mantive diários detalhados. Na verdade, quase não escrevia diários.
Mas havia material suficiente: anotações de palestras, relatórios e tudo o mais. Ao final, tudo se organizou muito bem. E contei com a ajuda de vários amigos que me acompanharam nessas viagens e lembram de coisas que eu esqueci. Usei memórias de outras pessoas, bilhetes de viagem, talões de passagens — tudo. E tudo se encaixou razoavelmente bem.
Frank Turek: Muito bem. Quero começar pelo propósito da vida — acredito que devemos saber para que vivemos para viver bem. Você deu uma palestra, creio que na Universidade Estadual da Flórida. Deixe-me conferir o título exato: “Por que estamos aqui? Deus, a Vida e a Busca da Felicidade”. É isso. Quero que resuma o que apresentou ali.
John Lennox: Claro. Por que estamos aqui? Creio que existimos porque este é um universo criado por um Criador inteligente, e fomos feitos à sua imagem — isso é fundamental. Fomos criados com consciência e cinco sentidos; é por meio deles que percebemos o mundo ao redor e atribuímos sentido a ele.
Vemos, percebemos beleza, ouvimos, compreendemos a linguagem porque Deus nos fez seres que se comunicam. Para mim, tudo gira em torno da dignidade de sermos criados à imagem de um Deus pessoal. Sou astrônomo amador e admiro as galáxias, mas elas revelam a glória de Deus sem serem feitas à sua imagem. Os seres humanos sim. Num tempo em que tantos, especialmente jovens, buscam sentido, excluir o Criador é mergulhar nas trevas, na confusão e no vazio.
Por isso começo onde a Bíblia começa: “No princípio, Deus criou os céus e a terra”. Essa afirmação — de que Deus criou os seres humanos à sua imagem — é a base de qualquer sistema de valores que valha a pena. Ouvir Jordan Peterson ler o Gênese e parar para dizer: “Esta é a base da civilização ocidental e ignoramo-la por nossa conta e risco” — ele tem toda a razão. Sinto-me responsável, como acadêmico e intelectual, por apresentar isso como uma filosofia e visão de mundo séria, em contraste com outras que ainda predominam — ateísmo, agnosticismo e demais correntes. Mas há algo mais: a singularidade humana vai além de uma simples afirmação de que somos feitos à imagem de Deus. É isto: somos únicos num sentido absolutamente impressionante — somos a única espécie que Deus poderia tornar-se. Isso é exatamente o que João diz no início do Evangelho: o Verbo, que é Deus, fez-se carne.
Refletir sobre isso — de que somos o tipo de ser que Deus poderia tornar-se — é um testemunho poderoso contra as ideias transhumanistas de criar seres superiores por inteligência artificial. Este é o fundamento. O universo é baseado no Verbo: a matemática é linguagem; o DNA, descoberta marcante da minha vida, é um código de 3,4 bilhões de letras — um verdadeiro texto escrito em linguagem química. A frase “No princípio era o Verbo” ressoa profundamente em mim.
Por que estamos aqui? A resposta é simples e admirável: existimos porque Deus quis que existíssemos. Pense nisso. No livro de Apocalipse, cujo novo livro escrevi recentemente, há cenas como numa composição musical, com temas que se desenvolvem e atingem o ápice. No capítulo 4, os seres celestiais louvam a Deus como Criador: “Por tua vontade todas as coisas existiram e foram criadas”. A redação em português é um pouco livre, mas o sentido é impressionante: todos buscam sentido e, entre outras coisas, buscam ser aceitos e amados — saber que alguém quis que existissem.
Quem tem filhos ou netos sabe como dói quando uma criança volta da escola dizendo: “Ninguém gostou de mim”. Até nós, adultos, sentimos isso. [Pausa para intervalo] Senhoras e senhores, bem-vindos de volta ao programa Não Tenho Fé Suficiente para Ser Ateu, comigo, Frank Turek. Hoje trazemos um episódio especial com trechos de uma longa entrevista com o Dr. John Lennox, na Universidade de Oxford. Ele estava no meio da resposta; vamos retomar com o Dr. Lennox.
John Lennox: Digo então: existo porque Deus quis que eu existisse. Isso é estontecedor. O governo do Reino Unido sabe meu número, mas não me conhece. Sou um número. Mas a ideia de que um Deus Criador não apenas se interessa, mas dá valor à sua existência — isso é apenas o primeiro nível: o da criação. O segundo: esse mesmo Deus torna-se humano para nos dar um valor ainda maior, vindo nos salvar do caos que fizemos do mundo, da nossa vida e de tudo. Veio nos resgatar por meio de Cristo na cruz.
Há dois níveis de valor: fomos criados à imagem de Deus. Ele nos ama, quer que existamos, sintamos ou não. E para nos dar a plenitude que mencionou, Ele age ativamente em nossa vida. Muitos dizem: “Você é cientista, não pode crer nisso, pois não se pode provar”. Respondo: “Pode-se provar sim”. Jesus prometeu que quem se voltasse para Ele, abandonando o pecado e a rebelião — todos somos pecadores — e O aceitasse como Senhor e Salvador, experimentaria coisas concretas. Primeiro, a paz. Conheço muita gente que não sabe o que é paz. Fui entrevistado no podcast Diário de um CEO, um dos mais ouvidos do mundo, e o apresentador me disse: “A paz que você tem não vejo em mais ninguém”. Isso vem d’Ele — não apenas paz, mas perdão, de que todos precisamos.
Acima de tudo, o poder que Cristo concede, pelo Espírito, para viver uma vida plena, com sentido e propósito — algo que não se encontra em outro lugar. Dizem: “Mas outras religiões e filosofias não oferecem isso?” Não oferecem. Digo com clareza: “Jesus não compete com ninguém. Oferece algo que nenhum outro oferece: paz, perdão e certeza nesta vida”. E a certeza de que ressuscitaremos para a vida eterna, compartilhando para sempre de uma existência plena e gloriosa. É assim que vejo. As pessoas percebem que não têm isso e o desejam, mas exige compromisso e arrependimento — e nem todos estão dispostos.
Frank Turek: Você demonstrou essa paz mesmo em situações hostis — em países comunistas, diante de plateias que o trataram com hostilidade. Debatemos com Christopher Hitchens; eu o admirava, mas era mordaz. Você debateu com Peter Atkins, que também foi muito duro. Amigos, se ainda não têm a biografia de John Lennox, comprem agora — serão abençoados por ela. John, descreve encontros em que acalmou e conquistou pessoas com essa serenidade, mesmo quando o trataram mal. Como mantém essa calma diante de plateias hostis?
John Lennox: Fui preparado cedo. Na Irlanda do Norte, vi muito ódio e conflito. Aprendi rápido: perder a calma é perder tudo — e a plateia percebe isso. Observei Jesus: só se indignou com os hipócritas. Com os demais, foi compassivo, atento, ouvia, perguntava. Vi que uma resposta suave afasta a ira. Muitas vezes, a postura agressiva das pessoas vem de nunca ter compreendido o Evangelho. Com Christopher Hitchens, por exemplo, a agressividade fazia parte do personagem. Mas o público via que eu não me abalava nem comprometia minhas convicções. É viver o que Paulo ensina: “amar a verdade”. No fundo, aprende-se a amar essas pessoas e a desejar que compreendam a mensagem. Vale a pena continuar — muitos se convertem anos depois. Recebo cartas de pessoas que se tornaram cristãs ao assistir ao meu debate com Richard Dawkins.
Frank Turek: No debate com Dawkins, quando falou da encarnação e de Cristo tomar sobre si os pecados, ele chamou isso de “trivial”.
John Lennox: Exato. Mencionei a ressurreição e, sem aviso, disseram que restavam apenas dois minutos em vez de nove. Pensei: o que fazer? Fui primeiro e fui direto ao cerne — a ressurreição. Ele disse: “Isso é algo pequeno, indigno do universo”. Mas se Cristo ressuscitou, é o evento mais importante da história. Muitos que assistiram perceberam: não havia argumento. O imperador estava nu. Ficamos chateados com a interrupção, mas ao longo dos anos, esse momento se tornou decisivo para muitos.
Frank Turek: Na autobiografia, conta um episódio da juventude: um prêmio Nobel o chamou de lado e disse para abandonar a fé. Pode nos contar?
John Lennox: Foi no segundo ano em Cambridge. Jantei ao lado dele e perguntei se, ao fazer a descoberta que lhe valeu o Nobel, considerou a possibilidade de uma Inteligência por trás do universo. Respondeu secamente que não. Percebi que não era sincero. No fim do jantar, chamou-me ao escritório dele, com mais dois professores. Perguntou: “Quer seguir carreira científica?” — “Sim”. — “Então abandone essa crença ingênua. Vai prejudicá-lo”. Olhei-o nos olhos: “Senhor, o que tem a me oferecer melhor do que já tenho em Cristo?” Citou uma filosofia evolutiva duvidosa. Respondi: “Se é só isso, prefiro correr o risco. Fico com Cristo”. Saí dali fortalecido. Vi o lado sombrio da academia e prometi a mim mesmo que, se um dia estivesse em posição de influência, jamais coagiria ninguém. Se fosse ao contrário — ele cristão e eu ateu —, teria sido demitido. Foi um abuso de autoridade. Decidi promover sempre o debate livre e respeitoso. É o que faço até hoje.
Frank Turek: [Intervalo — pergunta ao público: “Por que Deus não salva todos? Todas as religiões levam ao céu? Acompanhem no canal e inscrevam-se”.] Voltando: seu pai mandou você ler O Capital, de Marx, não é?
John Lennox: Exato. Disse: “Precisa conhecer o que outros pensam”. Ele não estudou além do ensino fundamental, mas lia muito e sabia que eu precisava entender outras visões de mundo. Devo muito a ele. A fé não fecha a mente, abre-a. Aquele episódio me preparou para lidar com opositores. Se tivessem argumentos, não precisariam intimidar.
Frank Turek: Também houve o caso de outro prêmio Nobel na Texas A&M…
John Lennox: Sim. Fui convidado para falar sobre ciência e fé. Ao terminar, o prêmio Nobel pediu minha lista de livros, copiou para todos e disse: “Perdi minha esposa e comecei a refletir. Por que nunca ouvi nada parecido?” Impressionante.
Frank Turek: E a história com a especialista em eutanásia?
John Lennox: Num fórum na Universidade Estadual de Utah, debati com uma mulher cujo marido havia falecido tragicamente. Disse à plateia: “Ouçam com respeito — ela carrega uma dor que muitos ainda vão conhecer”. Ao final, abraçou-me e pediu uma foto: “Ninguém vai acreditar no que aconteceu aqui”. Demonstrar empatia — responder à pessoa, não só ao argumento — faz diferença.
Frank Turek: Descreveu o mundo como “bombas e beleza”. Pode aprofundar?
John Lennox: Todos perguntam por que Deus permite o sofrimento. Em vez de insistir na pergunta, mudei o foco: “Existe um Deus em quem confiar no sofrimento?” A resposta está na cruz — Deus não se afastou, compartilhou da dor. E a ressurreição mostra que o sofrimento não tem a última palavra. Após o terremoto na Nova Zelândia, uma viúva me entregou um bilhete: “O que disse foi a primeira esperança que senti”. Não eliminamos a dor, mas mostramos que Deus está presente.
Frank Turek: Pergunto a muitos: “Se o cristianismo fosse verdade, você seguiria?” — 99% dizem não. A recusa é mais rebelião do que falta de provas?
John Lennox: Sem dúvida. Muitos argumentos são cortina de fumaça. Um jovem em Cambridge gritou que tudo era absurdo — até admitir: “Meus pais me impuseram a fé e eu odiei”. Conversamos e ele se convertiu. Às vezes, a objeção real não é intelectual.
Frank Turek: Sua ilustração sobre a graça e sua esposa Sally é linda. Pode contar?
John Lennox: Muitos acham que precisam cumprir regras para serem aceitos por Deus. É como dizer a Sally: “Siga esta receita por 40 anos; então a aceitarei”. Ninguém trataria assim o cônjuge! Mas é assim que tratam Deus. A aceitação é dom, não mérito. Servimos a Deus não para ganhar pontos, mas porque já somos amados. Como disse C.S. Lewis: “Não esperamos o céu como recompensa; agimos porque já sentimos o brilho do céu em nós”.
Frank Turek: John, o senhor completará 83 anos em novembro. Que mensagem deixa aos jovens e a todos que querem servir a Cristo?
John Lennox: O mesmo que ouvi quando era jovem: mergulhem na Palavra, orem, esperem em Deus. Ele falará e vocês terão o que dizer. Sem isso, não têm mensagem. Começamos sabendo pouco, mas compartilhem o que conhecem. Ver Deus agir transforma tudo. Aos jovens que se sentem sem valor: podem estar ligados diretamente ao Deus do céu, por meio de Cristo, e viver com propósito. Mas é preciso levar isso a sério: confiar, seguir, viver para Ele.
Que Deus os abençoe, os guie e os use. Precisamos de vocês.
Frank Turek: Esta foi uma edição especial. A entrevista integral será lançada no podcast na terça-feira, 15 de setembro, no canal Cross Examined. Convido todos para o evento na Universidade da Geórgia: “Jesus versus a Guerra à Realidade”, transmitido ao vivo. Que Deus os abençoe.
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