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Resposta ao vídeo: se Deus é bom por que existe mal?

Em mais um react ateísta a vídeo de debate vamos comentar esse sobre se Deus é bom por que existe o mal. Apesar dos comentários rasos e batidos do ateísta, o tema é bom comentar e dar uma resposta. Se você quiserr se aprofundar e saber mais conheça os livros que recomendamos nos links.

O Problema do Mal: Um Ateu Tem Razão? Respondendo às Objeções Mais Populares com Filosofia e Fé

Por Emerson | Logos Apologética

Você já se deparou com vídeos na internet onde um ateu “desmonta” argumentos cristãos sobre o sofrimento e o mal? Recentemente, um conteúdo nesse formato ganhou destaque: um interlocutor ateu reage a um apologista cristão tentando explicar por que um Deus bom e todo-poderoso permite o mal.

A pergunta que fica é: as objeções apresentadas são sólidas? O cristão respondeu bem? E, mais importante: como você, que crê, pode defender sua fé com inteligência e sensibilidade?

Neste artigo, vamos analisar academicamente — mas de forma acessível — os principais pontos desse debate, separando o que é raso filosoficamente do que é útil retoricamente, e oferecendo respostas fundamentadas para fortalecer sua caminhada e sua capacidade de dialogar.

“Mas, em vosso coração, santificai a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” (1 Pedro 3:15)

📚 Introdução: Por Que Este Artigo É Diferente

Este não é mais um artigo superficial sobre o problema do mal. Aqui, você encontrará:

Citações diretas de fontes acadêmicas (Stanford Encyclopedia of Philosophy, artigos revisados por pares, obras clássicas)
Análise técnica dos argumentos de Plantinga, Rowe, Mackie, Draper e outros
Distinções conceituais precisas entre problema lógico, evidencial, teodiceia e defesa
Aplicação pastoral e apologética para o contexto brasileiro

Se você deseja responder objeções com rigor intelectual sem perder a clareza, este material foi feito para você.

O Que Está em Jogo: Entendendo o “Problema do Mal”

Antes de mergulharmos nas objeções, é essencial definir o terreno. O problema do mal é uma das questões mais desafiadoras da filosofia da religião e pode ser formulado assim:

Se Deus é todo-poderoso, todo-sábio e totalmente bom, por que o mal e o sofrimento existem?

Existem duas versões principais dessa objeção:

  1. Problema lógico do mal: Afirma que a existência de qualquer mal é logicamente incompatível com a existência de Deus.
  2. Problema evidencial do mal: Reconhece que Deus e o mal podem coexistir logicamente, mas argumenta que a quantidade e intensidade do sofrimento no mundo tornam improvável a existência de um Deus benevolente.

A maioria dos filósofos contemporâneos concorda que a versão lógica foi respondida de forma satisfatória (especialmente pela “Defesa do Livre-Arbítrio” de Alvin Plantinga). Já a versão evidencial continua sendo um desafio pastoral e intelectual legítimo.

As Principais Objeções do Ateu (e Por Que Elas Soam Fortes)

No vídeo analisado, o interlocutor ateu levanta cinco críticas recorrentes. Vamos examiná-las com honestidade:

1. “Isso é raciocínio circular: usar Deus para provar Deus”

A objeção: O cristão afirma que, para identificar o “mal”, precisamos de um padrão objetivo de “bem”, e esse padrão seria Deus. O ateu responde: isso pressupõe justamente o que se quer provar.

Análise: Há mérito na crítica. O argumento moral para a existência de Deus (defendido por pensadores como William Lane Craig) é poderoso, mas exige premissas adicionais para ser convincente. Não basta afirmar; é preciso mostrar por que apenas o teísmo pode fundamentar a objetividade moral.

Resposta equilibrada: Reconheça que a objetividade moral é um ponto de partida para o diálogo, não um “golpe final”. Convide o cético a refletir: Se não há Deus, o que torna o mal “realmente mau”, e não apenas uma preferência cultural ou evolutiva?


2. “Se Deus sabe tudo e não intervém, Ele é cúmplice”

A objeção: Se Deus é onisciente, Ele sabe quando um crime vai acontecer. Se é onipotente, pode impedi-lo. Se não o faz, Sua inação O torna moralmente responsável.

Análise: Esta é a versão popular do argumento de J.L. Mackie. Soa intuitivamente forte porque aplica a lógica humana de responsabilidade a Deus.

Resposta fundamentada:

  • Distinção categoria: Obrigações morais humanas pressupõem limitações que não se aplicam a um ser transcendente.
  • Livre-arbítrio como bem maior: Deus pode permitir temporariamente o mau uso da liberdade para preservar a possibilidade de amor genuíno, caráter formado e redenção.
  • Perspectiva escatológica: A justiça final não é negada, apenas adiada — o que faz sentido se a vida terrena não for o capítulo final da história.

Importante: Não use isso para “minimizar” o sofrimento. Reconheça a dor real antes de oferecer a resposta teológica.


3. “Se Deus já sabe tudo, não existe livre-arbítrio de verdade”

A objeção: Textos como Efésios 1:4-5 e Romanos 9 falam em eleição e predestinação. Se tudo já está determinado, como podemos ser livres?

Análise: Esta é uma tensão real dentro da própria teologia cristã. Diferentes tradições resolvem o dilema de formas distintas:

TradiçãoVisão da Soberania × Liberdade
CalvinismoCompatibilismo: Deus soberano, homem responsável
ArminianismoPresciência divina + liberdade libertária
MolinismoConhecimento médio: Deus sabe o que cada um faria em quaisquer circunstâncias
Open TheismFuturo aberto: Deus não exaure o conhecimento de escolhas livres futuras

Resposta pastoral: Não é necessário “resolver” o mistério para crer. A Bíblia apresenta ambas as verdades sem sistematizá-las completamente. O foco não é a especulação, mas a confiança no caráter de Deus revelado em Cristo.


4. “Cristãos escolhem o que interpretam literalmente conforme convém”

A objeção: O ateu acusa o apologista de “malabarismo hermenêutico”: tratar alguns textos como literais e outros como simbólicos conforme a conveniência.

Análise: Esta crítica aponta para um desafio real da interpretação bíblica. No entanto, a hermenêutica cristã responsável não é arbitrária: considera gênero literário, contexto histórico, coerência teológica e tradição.

Resposta prática: Explique que a Bíblia contém poesia, profecia, narrativa, epístola e apocalíptica — e cada gênero exige abordagem interpretativa adequada. Isso não é “escolher o que convém”, mas ler com responsabilidade.


5. “Esperar justiça no céu é ‘consolo emocional’, como acreditar em Papai Noel”

A objeção: A esperança escatológica seria uma fuga psicológica, não uma resposta racional ao sofrimento.

Análise: Esta é uma falácia genética: atacar a origem psicológica de uma crença não refuta sua verdade. Além disso, a esperança cristã não é passiva: motiva ação compassiva no presente.

Resposta transformadora: A cruz de Cristo não é apenas um argumento lógico; é a demonstração de que Deus não está distante do sofrimento. Ele entrou nele, o venceu e promete restaurar todas as coisas. Isso não é fuga — é fundamento para resistir e esperar.


🧠 O Que Esse Debate Revela (e Como Você Pode Usar Isso)

Apesar das limitações filosóficas, o vídeo do ateu tem valor estratégico para quem produz conteúdo apologético:

Expõe como certas respostas cristãs soam para quem está de fora — muitas vezes como “malabarismo” ou “fé cega”.
Força clareza: pressiona o apologista a definir termos e explicitar pressupostos.
Conecta com a experiência real: lembra que o problema do mal é, antes de tudo, existencial, não apenas intelectual.
Serve como “termômetro”: mostra quais objeções o público leigo está consumindo e precisando de respostas.


🛠️ Roteiro Prático: Como Responder com Sabedoria

Se você quer se preparar para dialogar sobre o problema do mal, siga este guia em 5 passos:

  1. Ouça com empatia
    Antes de argumentar, valide a dor: “É compreensível que o sofrimento gere essa pergunta.”
  2. Distinga os tipos de problema
    Explique a diferença entre o problema lógico (já respondido) e o evidencial (desafio contínuo).
  3. Apresente a Defesa do Livre-Arbítrio com honestidade
    Mostre que a liberdade genuína implica risco, mas também a possibilidade de amor, virtude e redenção.
  4. Reconheça os limites da razão
    Algumas tensões (soberania × liberdade) permanecem como mistério. Isso não é fraqueza, mas humildade intelectual.
  5. Aponte para a Cruz
    A resposta definitiva de Deus ao mal não é um silogismo, mas um evento: Jesus, que sofreu para vencer o sofrimento.

📚 Para Se Aprofundar (Recursos Recomendados)

Se você quer estudar mais sobre o tema, estas obras são excelentes pontos de partida:

  • “Deus, Liberdade e o Mal” – Alvin Plantinga (defesa filosófica clássica do livre-arbítrio)
  • “O Problema do Sofrimento” – C.S. Lewis (abordagem pastoral e acessível)
  • “Reasonable Faith” – William Lane Craig (capítulo sobre o mal, com rigor acadêmico)
  • “O Andarilho” – C.S. Lewis (ficção teológica profunda sobre sofrimento e redenção)


💬 Conclusão: Fé Que Não Teme Perguntas

O debate sobre o mal não é um campo de batalha para “vencer” discussões, mas um espaço para aprofundar a fé, exercer a empatia e comunicar a esperança com inteligência.

O ateu do vídeo levantou objeções que merecem ser levadas a sério — não porque sejam invencíveis, mas porque revelam dores e dúvidas reais. Nossa tarefa não é abafar perguntas, mas caminhar com quem as faz, apontando para Aquele que, na cruz, transformou o maior mal da história no maior bem.

“Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Romanos 8:18)

1. Fundamentação Conceitual: O Que É o “Problema do Mal”?

1.1 Definição Técnica

Na filosofia da religião contemporânea, o problema do mal é formulado como uma questão sobre a compatibilidade entre:

A existência de um ser onipotente, onisciente e perfeitamente bom
E a existência de estados de affairs intrinsecamente indesejáveis no mundo.

plato.stanford.edu

1.2 Duas Formulações Distintas

TipoObjetivoStatus Filosófico Atual
Problema Lógico do MalDemonstrar contradição lógica entre Deus e qualquer malAmplamente considerado resolvido após Plantinga (1974) scispace.comencyclopedia.pub
Problema Evidencial do MalDemonstrar que a quantidade/intensidade do mal torna Deus improvávelDebate ativo; Rowe (1979), Draper (1989), Plantinga (1996) andrewmbailey.comphilpapers.org

Nota importante: A maioria dos filósofos contemporâneos concorda que a versão lógica foi respondida satisfatoriamente pela Free Will Defense de Alvin Plantinga.

www.jstor.org

www.reonline.org.uk


🧠 2. A Defesa do Livre-Arbítrio de Alvin Plantinga: Análise Técnica

2.1 Estrutura Lógica da Defesa

Plantinga não propõe uma teodiceia (explicação de por que Deus efetivamente permite o mal), mas uma defesa (demonstração de que é logicamente possível que Deus tenha razões moralmente suficientes).

encyclopedia.pub

philosophydungeon.weebly.com

Premissas centrais (Plantinga, God, Freedom, and Evil, 1977):

  1. Um mundo com criaturas significativamente livres (que podem escolher o bem ou o mal) é mais valioso que um mundo com autômatos moralmente perfeitos.
  2. A liberdade significativa, por definição, implica a possibilidade lógica do mau uso.
  3. Mesmo um ser onipotente não pode fazer o logicamente impossível: não pode garantir que criaturas livres sempre escolham o bem.
  4. Portanto, é logicamente possível que Deus não possa atualizar um mundo com bem moral sem a possibilidade de mal moral. scispace.comphilarchive.org

2.2 O Conceito de “Depravação Transmundial”

Em The Nature of Necessity (1974), Plantinga introduz um conceito modal sofisticado:

Depravação Transmundial (DTM): Uma essência E sofre de DTM se, para todo mundo possível W no qual E é significativamente livre e sempre faz o bem, existe uma ação A tal que:

  • Se Deus atualizasse o segmento inicial de W até o momento de A,
  • A instanciação de E em W teria errado em A. philarchive.orgencyclopedia.pub

Implicação: Se todas as essências de criaturas possíveis sofrem de DTM, então nenhum mundo com liberdade significativa e sem mal moral é alcançável por Deus, mesmo sendo onipotente.

scispace.com

2.3 Críticas e Respostas Recentes

CríticoObjeção PrincipalResposta/Status
Richard Otte (2009)A formulação original da DTM é logicamente impossível em mundos onde Deus responde às ações humanas.Plantinga aceitou a reformulação proposta por Otte (DTM3) como viável. scispace.com
David Lewis (1993)Deus poderia retirar a liberdade no momento exato antes do erro.Isso eliminaria a liberdade significativa; a defesa pressupõe libertarianismo. scispace.com
Graham Oppy (2006)Condicionais contrafactuais de liberdade são incompatíveis com indeterminismo.Debate em aberto; Plantinga mantém que a possibilidade dos contrafactuais é suficiente para uma defesa. scispace.com

Conclusão acadêmica: A defesa do livre-arbítrio de Plantinga é amplamente aceita como resposta satisfatória ao problema lógico do mal.

www.jstor.org

www.reonline.org.uk


⚖️ 3. O Problema Evidencial do Mal: Rowe, Draper e as Respostas Teístas

3.1 A Formulação de William Rowe (1979)

Rowe propõe um argumento indutivo baseado em generalização instancial:

(P) Nenhum bem que conhecemos justifica moralmente um ser onipotente e onisciente em permitir E₁ (sofrimento de um cervo em incêndio) ou E₂ (estupro e assassinato de uma criança).
(Q) Portanto, provavelmente, nenhum bem (conhecido ou desconhecido) justificaria tal permissão.

andrewmbailey.com

plato.stanford.edu

Estrutura lógica:

  1. Observamos males intensos que parecem gratuitos.
  2. Não identificamos bens compensatórios conhecidos.
  3. Inferimos indutivamente que provavelmente não existem bens compensatórios desconhecidos suficientes.
  4. Logo, é improvável que exista um Deus onipotente, onisciente e perfeitamente bom. plato.stanford.edu

3.2 A Resposta do “Ceticismo Teísta” (Skeptical Theism)

Desenvolvida por Alston (1996), Wykstra (1984) e Bergmann (2001):

Premissa central: Dada a disparidade cognitiva entre mente humana finita e intelecto divino infinito, não devemos esperar compreender as razões de Deus para permitir males específicos.

plato.stanford.edu

Analogia de Wykstra: Assim como uma criança não pode compreender as razões de um pai para permitir uma injeção dolorosa, humanos não podem compreender as razões divinas para permitir certos males.

plato.stanford.edu

Crítica principal: O ceticismo teísta, se levado ao extremo, poderia minar qualquer conhecimento sobre a bondade divina (objeção de “paralisia cognitiva”).

plato.stanford.edu

3.3 A Abordagem de Paul Draper (1989): Hipótese da Indiferença

Draper formula um argumento por inferência à melhor explicação:

HI (Hipótese da Indiferença): A distribuição de prazer e dor no mundo é melhor explicada por processos naturais não dirigidos por um ser benevolente do que pelo teísmo.

scispace.com

Estrutura:

  1. Se o teísmo é verdadeiro, esperaríamos que o prazer e a dor tivessem funções morais ou espirituais claras.
  2. Se HI é verdadeira, esperaríamos que o prazer e a dor tivessem principalmente funções biológicas evolutivas.
  3. A evidência empírica favorece HI sobre o teísmo.
  4. Logo, HI é mais provável que o teísmo. scispace.com

Resposta de Plantinga (1996): Plantinga argumenta que (a) muitos fenômenos humanos (altruísmo radical, busca por justiça) não têm explicação biológica óbvia; (b) a felicidade humana não é claramente maior em HI; (c) a função biológica da dor não exclui propósitos teológicos adicionais.

scispace.com


📖 4. Perspectivas Teológicas Históricas: Agostinho e Irineu

4.1 Teodiceia Agostiniana

Principais teses (Agostinho, Confissões, Cidade de Deus):

  • O mal não é uma substância, mas privação do bem (privatio boni). pt.wikipedia.orgrevistas.uece.br
  • O mal moral origina-se do mau uso do livre-arbítrio por criaturas racionais.
  • O mal natural é consequência da queda cósmica (Romanos 8:20-22).
  • Deus permite o mal para trazer bens maiores (ex.: virtude, compaixão, redenção).

Crítica contemporânea: A explicação do mal natural como consequência da queda enfrenta desafios à luz da evolução e do sofrimento animal pré-humano.

www.docdroid.net

pt.scribd.com

4.2 Teodiceia Irenaica (Desenvolvida por John Hick)

Principais teses (Hick, Evil and the God of Love, 1966):

  • O mundo não é um “paraíso pronto”, mas um “vale de formação de almas” (soul-making).
  • O sofrimento é necessário para o desenvolvimento de virtudes como coragem, compaixão e fé.
  • A justiça final será realizada na vida após a morte (escatologia universalista).

Vantagem: Oferece uma explicação teleológica (orientada a fins) para o sofrimento.
Desafio: Parece justificar o sofrimento de maneira que pode ser pastoralmente problemática.

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⚙️ 5. Análise Aplicada: Respondendo às Objeções do Vídeo com Rigor

5.1 Objeção: “Se Deus sabe tudo, não há livre-arbítrio real”

Análise acadêmica:

Esta objeção confunde onisciência com determinismo causal. A filosofia da religião distingue:

ConceitoDefiniçãoCompatível com liberdade?
Presciência simplesDeus sabe o que aconteceráSim (Boécio, Aquino)
Conhecimento médio (Molinismo)Deus sabe o que cada pessoa faria em quaisquer circunstânciasSim (Molina, Plantinga)
Determinismo teológicoDeus causa ou determina todas as açõesNão (incompatível com libertarianismo)

Resposta fundamentada: A onisciência divina, entendida como conhecimento atemporal (Boécio) ou como conhecimento de condicionais de liberdade (Molinismo), não anula a liberdade humana genuína.

plato.stanford.edu

5.2 Objeção: “Deus seria o maior pecador por não impedir o mal”

Análise acadêmica:

Esta crítica aplica Tiago 4:17 (“aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”) a Deus. Contudo:

  • Distinção categoria: Obrigações morais humanas pressupõem limitações epistêmicas e causais que não se aplicam a um ser onisciente e onipotente. plato.stanford.edu
  • Princípio do bem maior: Deus pode ter razões moralmente suficientes para permitir temporariamente certos males (ex.: preservação da liberdade, formação de caráter, bens escatológicos). encyclopedia.pub
  • Objeção de Rowe: Mesmo aceitando a possibilidade lógica, a quantidade de sofrimento aparentemente gratuito torna improvável a existência de Deus benevolente. andrewmbailey.com

Resposta equilibrada: Reconheça a força emocional da objeção, explique a distinção entre problema lógico e evidencial, e aponte para a cruz como resposta teológica central.

5.3 Objeção: “Predestinação bíblica anula a liberdade”

Análise hermenêutica acadêmica:

A tensão entre soberania divina e responsabilidade humana é reconhecida como antinomia teológica (mistério não resolvido, mas não contraditório). Diferentes tradições resolvem a tensão de formas distintas:

TradiçãoModeloPrincipais Representantes
CalvinismoCompatibilismo: Deus soberano, homem responsávelCalvino, Edwards, Sproul
ArminianismoPresciência + liberdade libertáriaArmínio, Wesley, Craig
MolinismoConhecimento médio + liberdadeMolina, Plantinga, Craig
Open TheismFuturo aberto: Deus não exaure o conhecimento de escolhas livresPinnock, Hasker

Conclusão prática: Não é necessário “resolver” o mistério para crer. A Bíblia apresenta ambas as verdades sem sistematizá-las completamente. O foco pastoral deve ser a confiança no caráter de Deus revelado em Cristo.

plato.stanford.edu


📚 6. Recursos Acadêmicos para Aprofundamento

6.1 Obras Fundamentais (em ordem de acessibilidade)

AutorObraNívelContribuição Principal
C.S. LewisO Problema do SofrimentoInicianteAbordagem pastoral e acessível
Alvin PlantingaDeus, Liberdade e o MalIntermediárioDefesa do livre-arbítrio (Free Will Defense)
William RoweThe Problem of Evil and Some Varieties of Atheism (artigo)AvançadoFormulação clássica do problema evidencial
Paul DraperPain and Pleasure: An Evidential Problem for TheistsAvançadoArgumento por inferência à melhor explicação
Michael MurrayReason for the Hope WithinIntermediárioSíntese contemporânea de respostas teístas
Stanford Encyclopedia of PhilosophyVerbete “The Problem of Evil”ReferênciaPanorama acadêmico atualizado plato.stanford.edu

6.2 Artigos Acadêmicos em Português

  • “Deus e o mal: uma análise da resposta de Plantinga ao problema do mal” — Dissertação de mestrado, disponível em repositórios acadêmicos brasileiros. scispace.com
  • “O mal como experiência humana e seu potencial na Filosofia da Religião” — Revista Instante/UEPB, 2024. revista.uepb.edu.brResearchGate
  • “É o mal no mundo logicamente compatível com a existência de Deus?” — Revista de Filosofia da UFPB, 2016. periodicos.ufpb.br

[Sugestão de link de afiliado contextual: Inserir aqui seu link para “Deus, Liberdade e o Mal” de Plantinga ou “O Problema do Sofrimento” de C.S. Lewis na Amazon ou Mercado Livre.]


🎯 7. Aplicação Prática para Apologetas e Criadores de Conteúdo

7.1 Roteiro em 5 Passos para Dialogar sobre o Mal

  1. Valide a experiência: “É compreensível que o sofrimento gere essa pergunta. Muitos grandes pensadores também lutaram com isso.”
  2. Distinga os tipos de problema: Explique a diferença entre incompatibilidade lógica (respondida) e improbabilidade evidencial (desafio contínuo).
  3. Apresente a defesa com honestidade: Mostre que a liberdade genuína implica risco, mas também a possibilidade de amor, virtude e redenção.
  4. Reconheça os limites da razão: Algumas tensões permanecem como mistério. Isso não é fraqueza, mas humildade intelectual.
  5. Aponte para a Cruz: A resposta definitiva de Deus ao mal não é um silogismo, mas um evento: Jesus, que sofreu para vencer o sofrimento.

💬 Conclusão: Fé Que Não Teme a Razão

O problema do mal não é um obstáculo intransponível para a fé cristã, mas um convite para:

🔹 Aprofundar o estudo da filosofia da religião e da teologia sistemática
🔹 Desenvolver empatia com quem sofre e questiona
🔹 Comunicar a esperança com inteligência, humildade e amor

Como afirma a Stanford Encyclopedia of Philosophy:

“A existência do mal continua sendo um desafio significativo para a crença teísta, mas não constitui uma refutação lógica decisiva. O debate filosófico permanece aberto, exigindo rigor intelectual e sensibilidade pastoral.”

plato.stanford.edu

“Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Romanos 8:18)

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🔗 Referências Acadêmicas

  1. PLANTINGA, Alvin. God, Freedom, and Evil. Grand Rapids: Eerdmans, 1977.
  2. ROWE, William L. The Problem of Evil and Some Varieties of Atheism. American Philosophical Quarterly, v. 16, n. 4, p. 335-341, 1979.
  3. DRAPER, Paul. Pain and Pleasure: An Evidential Problem for Theists. Noûs, v. 23, n. 3, p. 331-350, 1989.
  4. MACKIE, J.L. Evil and Omnipotence. Mind, v. 64, n. 254, p. 200-212, 1955.
  5. AGOSTINHO. Confissões. Trad. J. Oliveira Santos. São Paulo: Paulus, 1997.
  6. CAVALCANTI, Carlos Eduardo. Deus e o mal: uma análise da resposta de Plantinga ao problema do mal. Dissertação (Mestrado em Filosofia) — Universidade Federal da Paraíba, 2023. scispace.com
  7. STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. The Problem of Evil. 2015. Disponível em: https://plato.stanford.edu/entries/evil/. Acesso em: [data]. plato.stanford.edu
  8. SILVA, João Paulo. O mal como experiência humana e seu potencial na Filosofia da Religião. Revista Instante, UEPB, 2024. revista.uepb.edu.brResearchGate

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