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Resposta a um cético que tenta “criticar” as cinco Vias de S. Tomás de Aquino

St-Thomas-AquinasUm cético escreveu:

São Tomás? Refutado há tempos. Vamos lá!

Eis as supostas vias “incontestáveis” da existência de um deus, segundo o fanático Aquino:

Via do movimento/primeiro motor

Via da causa eficiente

Via do contingente e do necessário

Via dos graus de perfeição Via do governo das coisas/da finalidade ser.

Contestações:

1. Se há um movimento no mundo (uma bola caindo, um bebê chorando, qualquer coisa), é NECESSÁRIO que haja uma CAUSA que produza tal efeito; não há dúvidas quanto a isso; o problema é assumir que se pode PARAR em uma causa arbitrária (algum deus) e não mais continuar a indagar sobre as causas anteriores; em outras palavras: não é LÓGICO parar em deus (qualquer que seja) e interromper a sequência de questionamentos “Qual a causa desse efeito?”; se há um deus, ele DEVE ser efeito de alguma causa que lhe antecede, e isso produz sequência INFINITA, que nada resolve (quem conhece Matemática sabe que, em se tratando de INFINITO, não há que parar em algum ponto; erro comum de quem não conhece essa Ciência); o argumento do “primeiro motor” fica, portanto, desmontado por LÓGICA;

2. Esse argumento é uma outra forma de falar a mesma coisa que está em 1.;

3. Considera-se “contingente” tudo o que pode ou não ocorrer; portanto, TUDO o que há no Universo (incluindo, “latu sensu”, as próprias LEIS que o regem dado que NÃO é impossível que se transformem com o Tempo; pouquíssimo provável mas não impossível); nesse caso, então, só um deus eterno, imutável, constante, etc, seria “necessário”, ou seja, não sujeito a contingências ou eventualidades; mas isso não PROVA a existência de deus; agrega um predicado de deus mas não sua necessidade de existir;

4. Os chamados níveis de Perfeição, a que todos estamos submetidos, são comandados pelas Leis da Natureza; portanto, SEMPRE somos perfectíveis; ao contrário, deus não o seria eis que lhe é atribuído, ARBITRARIAMENTE, o nível máximo de Perfeição; ora, isso é meramente conjectural, não pode ser PROVADO objetivamente; mais uma falha de Aquino que envereda pelo caminho do ACHISMO;

5. Aquino, aqui, no meu entender, já assumindo a existência de um deus, lhe atribui o controle, o domínio, o comando das coisas no Universo, e esse deus o faz visando um propósito inacansável pelo Homem; novamente, ele ACHA que há um deus e tece considerações em torno desse ACHISMO; não é Ciência, não é CONHECIMENTO; é, meramente, hipotético e nada mais. As Leis do Universo, principalmente a Entropia, determinam que há uma “seta do Tempo”, e é ela que determina o curso futuro do Universo; como tais Leis estão em andamento, deuses são dispensáveis.

Douglas Yamaguti Agora a tal “explosão evolutiva”:

Um estudo publicado pela revista “Nature” buscou uma interseção entre duas áreas de conhecimento e mostrou que dois fenômenos, um geológico e outro evolutivo, estão relacionados.

Há cerca de 530 milhões de anos o mundo passou por um período conhecido como “explosão cambriana”. Foi quando organismos mais simples evoluíram para uma forma mais parecida com a que temos hoje, com o surgimento dos vertebrados. Os geólogos também conhecem um fenômeno chamado “grande discordância”: em alguns locais, como no Grand Canyon, nos Estados Unidos, pedras arenosas com 525 milhões de idade ficam lado a lado com rochas bem mais antigas, de até 1,74 bilhão de anos. Durante a explosão cambriana, formaram-se três minerais que hoje são importantíssimos para a vida como conhecemos: o fosfato de cálcio, presente em ossos e dentes, o carbonato de cálcio, que aparece na casca dos invertebrados, e o dióxido de silício, presente no plâncton, a base da cadeia alimentar marinha. Há cerca de 650 milhões de anos, o nível do mar variava muito, a rocha molhada reagia com o ar e liberava íons de elementos como cálcio, ferro e potássio. Em seguida, quando a maré subia, levava estes íons de volta para o mar. Essa mudança na química da água teria sido um estímulo para a evolução dos seres vivos. Paralelamente, as rochas desgastadas vieram a ser cobertas por rochas mais novas, o que explica a lacuna na idade das rochas.

Resposta de um leitor do Logos:

A 1a. “refutação” é retardada. Ela vai parar em Deus. Tem que lembrar que Deus É.  Se você for regredindo o tempo haverá uma causa não-causada que seja atemporal e metafísica, além de pessoal. Ou seja, Deus. Não é uma suposição falar que Deus É a causa, é uma necessidade.

Muitos erros. É difícil começar por algum ponto específico. Primeiramente, ele se esquece que a impossibilidade de uma sequência infinita de motores e movidos já foi demonstrada pelo fato de que se a sequência de movimentos é infinita, ela é em ato. Mas essa sequência é formada por acréscimos sucessivos de termos, de maneira que ela se limita e em seguida suplanta esse limite pelo acréscimo de mais um termo, um infinito em potencial e não atual. Se não é infinita, é finita e há um motor não-movido, imóvel em sentido absoluto que deve ser carente de potência, pois se tivesse potencialidade de algo, haveria algo capaz de trazer essa potencialidade a ato, que se viesse a mover o motor imóvel levaria mais uma vez a uma regressão infinita de termos subordinados, que é impossível. Esse motor imóvel tem de ser infinito, não em sentido quantitativo ; se este é carente de potencialidade,ele é carente de limites, pois só o que tem capacidade de receber algo possui algum limite, como só o aluno que tem capacidade de aprender tem algum conhecimento limitado. Se é infinito, toda perfeição reside nele, pois do contrário, seria limitado. Ora, é evidente a identidade entre o Motor imóvel e Deus, e por isso diz São Tomás, todos sabem, é Deus.
A segunda via é distinta da primeira, pois contempla outro lado da dependência ontológica dos seres no Universo.
Se há seres meramente possíveis, contingentes, nos diz São Tomás, há momentos nos quais não existiam tais seres, pois aquilo cuja essência não exige sua existência passou a existir em dado momento quando algum ser deu existência a essa essência. Ora, se todo ser for contingente, segue-se que houve um momento em que nenhum existia, mas do nada, nada vem, logo, nada existiria agora, o que é absurdo. Logo, há algo de necessário ante os entes contingentes. Esse ser necessário tem de ser incausado, infinito pois se fosse finito teria algo de contingente, a possibilidade de ser maior em qualidades . Lembrando que não é em sentido quantitativo, e sim qualitativo, perfeições.
Nenhuma lei determina, leis naturais são descrições inerentes de dados comportamentos e disposições particulares dos entes, que faz com que haja algo de regular em certos fenômenos. Há, claramente, algo de hierárquico em diversas qualidades, e nesse princípio de graus se usa termos como “mais” e “menos “, necessariamente, para indicar dada proximidade a um grau máximo, tal como as coisas às quais se diz serem mais ou menos quentes, o são em relação a algo mais quente, a partir do qual se estabelece a hierarquia. Se a hierarquia é real, o grau máximo pelo qual esta existe também deve ser. Ora, há uma hierarquia de seres com qualidades como bondade, poder, justiça, em sentido ontológico. Bondade em sentido de seres mais desejáveis, poder em sentido de ter completude e por aí vai. Ora , havendo essa hierarquia, tem de haver algo correspondente ao grau máximo dessas qualidades, e ao ser correspondente, todos sabem, é Deus.
Não há, como não há em nenhuma das vias, achismo. Se há certo comportamento regular pelos entes naturais, convergindo para resultados, no todo, harmônicos, como de fato há claramente nos eventos no Universo, há uma determinação teleológica, visando um fim, pois o carente de inteligência ou de qualquer disposição particular, não converge para qualquer fim particular, tal como a flecha não converge ao alvo se não pela mira do arqueiro. Logo, pela evidente ordem do Universo, se chega a evidência da existência de um ser que o ordenou, dotado de poder e inteligência para subjugar e moldar todos os entes naturais envolvidos atualmente em processos teleológicos. Ora, todos sabem, é Deus.

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