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Os efeitos negativos das evocações espíritas

nr4-spiritismDeus, autor da vida e criador do homem, teve por certo razões graves para interditar com tanta severidade a evocação dos faleci­dos. Quais seriam estes motivos? Os textos bíblicos citados dão alguma indicação: “. . . para que vos não contamineis por meio deles (dos necromantes): eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 19,31); “Porque o Senhor abomina todas estas coisas” (Dt 18,13); porque afasta o homem de Deus (Dt 13,2-6); porque desvia da Lei e do Testamento (ls 8,19-20); porque o mago “perverte os caminhos retos do Senhor” (At 13,10); porque a magia faz parte das “obras da carne” (Gl 5,20). Segundo a Bíblia, a magia é uma injúria à soberana independência e transcendência de Deus e aos seus direitos exclusivos de criar, revelar, fazer milagres e santificar os homens; a magia tende a rebaixar a Deus ao nível da criatura e abre os caminhos para as mais estranhas religiões. E porque a magia é aviltamento da soberania divina, por isso ela é também degradação da dignidade do homem, é deformação do autêntico sentimento religioso.

Não é difícil constatar como, de fato, entre nós, a prática da evocação foi distanciando os espíritas da doutrina cristã e da Igreja de Cristo. Vítimas da miragem espírita, milhões de brasileiros já se sentem praticamente desvinculados da Igreja. São os frutos da evocação. Jesus previu a invasão dos falsos profetas e nos deu uma grave exortação: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7,15-16).

Pelos seus frutos os conhecereis: penso, sobretudo também nos efeitos que a diuturna prática da evocação produz sobre a saúde de seus praticantes. Pois o espiritismo é uma religião “de possessão”, como se diz agora. A suposta ou imaginada possessão se realiza sempre em um estado psicológico de transe. Para poder atuar como instrumento dos espíritos, o médium deve entrar neste estado que não é normal. Segundo as normas de estatutos para sociedades espíritas, dadas pela Federação Espírita Brasileira, os centros espí­ritas devem realizar “sessões para obtenção dos fenômenos espíri­tas”, que são reguladas nestes termos pelo art. 2 § 2: “O desen­volvimento das faculdades mediúnicas consistirá, principalmente, no aprendizado, para o médium, da doutrina, em geral, e, em particular, no exercício da concentração, da meditação e da prece, no apura­mento da sua sensibilidade, para o efeito de perceber, pela sensa­ção que lhe produzam os fluidos perispiríticos do espírito que dele se aproxime, de que ordem é este; na aprendizagem da maneira por que se deve comportar o seu próprio espírito durante a mani­festação, tudo mediante o estudo de O livro dos médiuns e de outras obras congêneres, estudo sem o qual nenhum médium deverá entre­gar-se à prática da mediunidade, sobretudo sonambúlica”.

Em vista disso e considerando a enorme multiplicação destes centros entre o povo simples, já por todo o vasto Brasil, interro­guei a opinião de médicos-psiquiatras, professores de psiquiatria, diretores de hospícios e psicólogos, sobre a conveniência de pro­mover o desenvolvimento das faculdades “mediúnicas” e provocar “fenômenos espíritas”. Perguntei-Ihes também se o médium “de­senvolvido” pode ser considerado tipo normal e são; e que pensam acerca da prática popularizada de tantos centros espíritas com a supra-indicada e prescrita finalidade.

Recebi numerosas respostas, publicadas na brochura O livro negro da evocação dos espíritos (Vozes, Petrópolis). A Sociedade de Medicina e Cirurgia, do Rio de Janeiro, por iniciativa de Leoní­dio Ribeiro, promoveu inquérito semelhante publicado em seu livro O espiritismo no Brasil (Ed. Nacional, 1931), que ajuntei à minha sindicância. Incluí também as observações feitas pelo Dr. Xavier de Oliveira em sua obra Espiritismo e loucura (Rio, 1931), que, na p. 211, fala assim de O livro dos médiuns de AK: “e a cocaína dos debilitados nervosos que se dão à prática do espiritismo. E com um agravante a mais: é barato, está ao alcance de todos, e, por isso mesmo, leva mais gente, muito mais, aos hospícios, do que a ‘poeira do diabo’, a ‘coca maravilhosa’… e o tóxico com que se envenenam, todos os dias, os débeis mentais, futuros hóspedes dos asilos de insanos. Lêem-no, assimilam-no, incluem a essência diabólica de que é composto, caldeiam os conhecimentos nele adqui­ridos nas sessões espíritas”. Falando da proporção que agora cabe ao espiritismo “como fator mediato de alienação mental de feição puramente religiosa”, revela que “é, de muito, muitíssimo, cem vezes, mil vezes superior à de todas as outras seitas reunidas, e, atual­mente, praticadas em todo o mundo” (p. 15).

Uma análise sistemática da ampla documentação por mim reco­lhida pode ser resumida nos seguintes pontos:

1) Existe impressionante unanimidade entre psiquiatras, pro­fessores de psiquiatria, diretores de hospícios, etc., em denunciar a prática da evocação dos espíritos como nociva, prejudicial, desacon­selhável, perigosa, perniciosíssima etc.

2) Há também unanimidade moral em ver na prática do espi­ritismo um poderoso fator de loucuras. Neste sentido os depoimen­tos são realmente notáveis:

– é o maior fator produtor de insanos (F. Franco);

– é um grande fator de perturbações mentais e nervosas (H.de Mello);

– é uma das causas predisponentes mais comuns da loucura (A. Austregésilo);

– é uma verdadeira fábrica de loucos (H. Roxo, J. Moreira, M. o. de Almeida);

– é um agente provocador de delírios perigosíssimos (H. Roxo);

– as práticas espíritas avolumam proeminentemente a população dos manicômios (J. Dutra);

– é grande o número de doentes, procedentes dos centros espíritas, que vão bater à porta do Hospício Nacional de Alienados (J. Moreira);

– entre os dementes que diariamente dão entrada no hospício, a maioria vem dos centros espíritas (H. Roxo, M. O. de Almeida);

– os hospitais de psicopatas estão repletos desses casos (Porto Carrero).

3) Mas não há unanimidade na questão se a prática do espi­ritismo apenas desencadeia distúrbios mentais já latentes e em indi­víduos predispostos à loucura, ou se também deve ser considerada como fator que por si só é capaz de provocar reações psicopato­lógicas em indivíduos perfeitamente sãos. Nem todos se pronuncia­ram sobre esta questão. Mas todos concordam em dizer que a sessão espírita é a melhor oportunidade para desencadear enfermi­dades mentais latentes. Em favor da tese que afirma que o exer­cício da mediunidade não age apenas desfavoravelmente sobre os predispostos, mas também sobre os sãos, não somente desencadeando, mas também preparando loucuras, temos os seguintes pronuncia­mentos:

– J. Leme Lopes sustenta que “a freqüência às sessões espí­ritas se encontra amiúde entre os fatores predisponentes e desenca­deantes das psicoses e das reações psicopatológicas” e que “o exer­cício das faculdades mediúnicas prepara, facilita e faz explodir alguns quadros mentais”;

– Franco da Rocha endossa as observações de Charcot, Forel, Vigoroux, Henneberg e outros, “que publicaram exemplos de pessoas, sobretudo moças, anteriormente sãs, que se tornaram histéreo-epilépticas, em conseqüência de terem tomado parte nas cenas de evocação dos espíritos”;

– Juliano Moreira confessa que viu “casos de perturbações nervosas e mentais evidentemente despertadas por sessões espíritas”;

– J. Dutra pensa que as práticas espíritas exageradas “prepa­ram a loucura”;

– A. Austregésilo declara que o espiritismo é “uma das cau­sas predisponentes mais comuns da loucura”;

– Xavier de Oliveira garante que dos casos por ele estudados no Pavilhão de Assistência a Psicopatas, 1.723 pessoas enlouque­ceram “só e exclusivamente pelo espiritismo”;

– Henrique B. Roxo insiste: “Uma coisa a discutir é se estas pessoas já não eram doentes mentais antes da sessão. Não, abso­lutamente. Não apresentavam antes qualquer perturbação mental”. Depois repete: “Raramente o indivíduo era alienado antes do espi­ritismo” .

4) Mas a prática do espiritismo ou da evocação dos espí­ritos não é somente causa de loucuras e perturbações das faculda­des mentais; os médicos denunciam outras conseqüências ainda:

– faz explodir e agravar a neurose (Franco da Rocha);

– produz perturbações nervosas (Juliano Moreira);

– determina emoções que acarretam perturbações vaso-moto­ras (J. Dutra);

– provoca alterações nas secreções internas (J. Dutra);

– produz histeria e epilepsia (Franco da Rocha).

 

5) Não apenas os médiuns, também a assistência pode ser vítima de semelhantes males:

– a prática pública de sessões espíritas, com manifestações ditas mediúnicas, exerce sobre a maior parte dos assistentes uma intensa tensão emocional e nos predispostos (psicopatas, neuróticos, fronteiriços, desajustados da afetividade) é a oportunidade de desen­cadeamento de reações que os levam ao pleno terreno patológico (Leme Lopes);

– a prática popularizada é prejudicial à saúde mental da cole­tividade (R. Cavalcanti), é nociva (P. de Azevedo), é prejudicial, principalmente nos meios incultos (M. Andrade);

– por impressionáveis, tais práticas públicas produzem alucinações (J. Dutra);

– a prática do espiritismo tem produzido danos à saúde men­tal dos adeptos e freqüentadores (J. Fróes);

– o delírio espírita episódico comumente se desenvolve pela freqüência de sessões de espiritismo (,H. Roxo);

– as sessões espíritas finalizam sempre com crises de nervos e um estado geral de excitação mais ou menos intenso (H. Roxo);

– algumas vezes há uma questão de contágio mental e numa casa muitas pessoas passam o delírio de uma para outra (H. Roxo);

– temos observado um sem-número de débeis mentais apresentarem surtos delirantes após presenciarem sessões espíritas ou delas participarem ativamente (Pacheco e Silva).

6) Há unanimidade quase total em qualificar a pessoa de médium como tipo anormal, insano, neurótico, desequilibrado, de­generado, histérico etc.:

– os médiuns são os neuróticos de certa classe, histéricos e obsessivos (A. Garcia);

– o médium deve ser considerado como uma personalidade anormal, predisposto a enfermidades mentais, ou já portador de psi­copatias crônicas ou em evolução (R. Cavalcanti);

– o médium não pode ser considerado como tipo normal e são (D. Araújo, O. M. Andrade);

– o médium toma-se um neurastênico, autômato, visionário, abúlico (F. Franco);

– o médium nunca pode ser normal (F. Franco);

– o chamado médium desenvolvido já é um insano (P. de Azevedo);

– nunca vi um médium que fosse indivíduo normal; é quase sempre um desequilibrado (Franco da Rocha);

– ainda não tive a ventura de ver um médium que não fosse nevropata (Juliano Moreira);

– o médium é um tipo anormal, um degenerado (H. de Mello);

– os médiuns devem ser considerados indivíduos nevropatas próximos da histeria (A. Austregésilo).

7) Com particular veemência é unanimemente condenado o desenvolvimento e o exercício das chamadas faculdades mediúnicas, pois esta prática:

– exalta qualidades patológicas latentes (J. A. Garcia);

– sugestiona as pessoas simples (J. A. Garcia);

– em doentes mentais precipita a psicose e dá colorido espe­cial aos delírios (J . A. Garcia);

– é causa freqüente de perturbações psicológicas (D. Araújo);

– retarda o tratamento dos pacientes (R. Cavalcanti);

– põe em evidência enfermidades mentais preexistentes (R. Cavalcanti) ;

– é o principal responsável pela transformação psicológica que prepara, facilita e faz explodir alguns quadros mentais (Leme topes);

– exerce sobre a maior parte dos assistentes uma tensão emo­cional (Leme Lopes);

– age como fator desencadeante de distúrbios mentais em Indivíduos predispostos (M. Andrade);

– é danoso para o organismo do médium. (F. Franco);

– produz personalidades histéreo-epilépticas (Franco da Rocha);

– prepara o automatismo (Franco da Rocha);

– produz perturbações nervosas e mentais Juliano Moreira);

– concorre para a alucinação (J. Dutra);

– determina emoções que acarretam perturbações vaso-motoras (J.Dutra);

– provoca concentração psíquica e estados de abstração (J.Dutra);

– altera as secreções internas (J.Dutra);

– predispõe para a loucura (A. Austregésilo);

– provoca delírios perigosíssimos (A. Roxo);

– agrava muitos estados mentais já iniciados por pequenos distúrbios psíquicos (A. Austregésilo).

 

8) Todos são unânimes também em declarar que o exercício abusivo da arte de curar pelo espiritismo acarreta perigos para a saúde pública.

9) Em vista de tudo isso reclamam ou apóiam medidas pú­blicas de profilaxia contra a proliferação de centros espíritas como nocivos à saúde pública:

– considero a prática do espiritismo um grave problema social no Brasil (D. Araújo);

– as sessões públicas de mediunidade deveriam ser interdi­tadas (Leme Lopes);

– os excessos nocivos deveriam ser coibidos (P. Azevedo);

– é urgentíssima uma medida pública neste sentido (F. Franco);

– a lei devia tolher-lhe a marcha (H. de Mello);

– os prejuízos que o espiritismo traz à saúde pública são evidentes (Porto Carrero);

– julgo indispensável e urgente que se estabeleçam leis que regulem esse caso (L. da Cunha);

– é uma prática perniciosíssima, que deveria ser combatida a todo transe, por isso que, sobre prejudicial à saúde pública, contribui para a ruína de muitos lares e dá margem a explorações as mais ignóbeis (Pacheco e Silva);

– o poder público não pode ser indiferente à ruína nervosa, senão à alienação daqueles sobre os quais lhe é missão velar: os inocentes, incautos, crédulos, que desses espetáculos e dessas suges­tões podem ser vítimas (Afrânio Peixoto).

Deus, autor do homem, tinha, pois, motivos graves para proi­bir a evocação. A posterior experiência comprova a sabedoria desta disposição divina. Ademais, veremos no próximo capítulo que esta evocação é perfeitamente inútil.

Por Frei Boaventura Kloppenburg

 

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Sobre o autor

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Sou editor do site Logos Apologética. Formado em teologia, filosofia e ciências sociais.

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